
Habitando o curioso circucentro de Belo Horizonte não se escuta mais carros de pamonha, jabuticaba e uvas fresquinhas, tão comuns aos bairros. Ao contrário do comércio de bens aproveitáveis e apreciáveis há uma incessante sinfonia de sirenes (sim, tão clichê quanto o termo), buzinas e um escoar noturno de detritos dos edifícios em reforma (sim, edifícios doentes são notidéfacos?).
Ocorre que circula agora por aqui o comércio intinerante do Senhor (conseqüência de viver ao lado de ponto de tráfico e tráfego de encostos de pescoço?). "Venha reconstruir a destruída capital mineira comparecendo a maior concentração de seguidores do kristo jamais vista?*", "venha colocar sua família aos pés da cruz". A gravação cuspida (com direito a perdigotos sagrados e musiquinha estilo aaaAAAaaaA) ainda cita a grande quantidade de divórcios que destroem famílias e trazem infelicidade, desgraças da vida graças (ou por culpa de? para evitar trocadilho fraco) encostos, "et cetera" coisas que nem vale a pena citar. Enfim, "reconstruir" uma cidade baseando-se nos preceitos doutrinários kristianos resolveria todos os problemas.
Hum. Acho que vou parar por aqui, senão vou acabar caindo em goiabada de chuchu com queijo mofado.
(* sarcasmo por conta da autora)
(Seguindo-se ao comércio do Senhor circulou por aqui comércio de determinado espasserviço, na avenida Paraná, não permitido a menores de dezoito anos).
__________Mas, afinal de contas, qual serviço que deveria ser censurado?